Arte e cultura

Na última semana de outubro, aconteceu na sede do Lar a Exposição de Artes, evento que contou com a apresentação do espetáculo teatral A Chegada de Lampião no Inferno, uma exposição ambientada de gravuras, esculturas e instalações, e também um grupo musical regional nordestino.

Foi uma ação interdisciplinar totalmente feita pelos aprendizes do Lar, orientada por seus educadores e com grande participação das crianças, dos jovens e dos pais.

A incrível peça teatral, baseada no cordel A Chegada de Lampião no Inferno, foi criada e ensaiada pela educadora Simone Burger, do curso de informática. “Fizemos o trabalho em dois meses. No primeiro, uma pesquisa na web sobre a literatura de cordel. No segundo mês realizamos os ensaios. Entre os vários cordéis pesquisados foi escolhido este como o mais interessante pelos próprios alunos da 7º e 8º anos. Fizemos a adaptação do texto para teatro e o projeto das instalações para as quais contamos com a ajuda de várias crianças. Foi maravilhosa a forma como eles abraçaram as idéias e se interessaram pelas rimas. Criaram até um livro chamado Novos Cordelistas, com cordéis que eles mesmos escreveram sobre vários temas e que foram depois diagramados e finalizados no computador.”, comentou a educadora.

O educador Danilo Benício, da Orquestra Jovem de Violões e da Oficina de Musicalização, montou um grupo regional integrado por zabumba (feita de galão de água reciclado), dois violões e triângulo. “O grupo fez a parte musical da peça tocando a música O Vôo da Gaita, tema do filme O Auto da Compadecida. Houve uma interatividade, os músicos adoraram tocar ritmos e códigos musicais regionais e bem característicos. A pesquisa feita foi muito profunda e os alunos estavam muito preparados com os textos e com as interpretações”.

Enquanto a peça musicada ocorria na sala de música, as paredes, salas e escadarias do Lar sustentavam desenhos e instalações sobre o tema e sobre a obra de Luiz Gonzaga, que completaria 100 anos de nascimento este ano. Os trabalhos foram expostos pelos alunos da educadora Berenice Araújo, que abordou o tema com um viés de sustentabilidade e reciclagem, e os da educadora Cristiane Santos, que enfocou o desenvolvimento da escuta musical com releituras plásticas.

Kátia Honora e Nanci de Lima, coordenadoras da entidade, consideraram fantástico o resultado e a participação intensa das crianças e jovens do Projeto Escolher (de 12 a 14 anos) e do Projeto Descobrir (de 6 a 11 anos).

A iniciativa faz parte das propostas interdisciplinares do projeto educativo cultural O Mundo tem Concerto, patrocinado pela Fundação Crespi Prado e coordenado pelo Maestro Cláudio Weizmann.